BCN Guarujá: a história do time que fez o Ginásio Guaibê tremer
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| Time BCN Guarujá |
Quem olha hoje para o Ginásio Guaibê talvez não imagine quantas histórias cabem dentro daquela quadra.
Houve uma época em que o nome de Guarujá aparecia constantemente nas notícias esportivas do Brasil. Não era por causa das praias, do turismo ou do verão.
Era por causa do vôlei.
E, no centro dessa história, estava um nome que até hoje desperta nostalgia em muitos guarujaenses: BCN/Guarujá.
Antes do BCN, já existia um sonho guarujaense
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| BCN em quadra |
A história começou antes da chegada das grandes estrelas.
Em julho de 1992, o Ginásio Guaibê foi inaugurado e recebeu justamente uma partida da seleção juvenil de vôlei de Guarujá. A equipe municipal vinha construindo uma trajetória competitiva e chegou a conquistar uma vaga para disputar o Campeonato Brasileiro.
Foi nesse momento que o BCN apareceu na cidade.
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| BCN Guarujá |
Segundo reportagem da UniSantos, o banco chegou ao Guarujá e assumiu a vaga que havia sido conquistada pela equipe local. A chegada do projeto marcou o começo de uma nova fase, mas também deixou uma lembrança amarga para algumas das atletas guarujaenses que estavam construindo seu próprio caminho no esporte.
O que veio depois, porém, transformaria completamente a história do vôlei na cidade.
Em 1993, nascia o BCN/Guarujá
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| BCN Guarujá x Nossa Caixa |
O Banco de Crédito Nacional, o BCN, já desenvolvia um programa esportivo voltado à formação de atletas.
Em 1993, decidiu ampliar esse projeto para o vôlei feminino e firmou uma parceria com a Prefeitura de Guarujá. A cidade oferecia a infraestrutura necessária para treinamentos e jogos, enquanto o banco colocava em quadra uma equipe profissional de alto nível.
E não era qualquer equipe.
O primeiro elenco reuniu nomes que já tinham enorme importância no vôlei brasileiro.
Entre elas estavam:
Isabel Salgado, Virna, Márcia Fu, Ida, Ana Cláudia Ramos, Tatá, Kika, Eliana "Bobô" e Rosa García, levantadora peruana.
No comando estava Ênio Figueiredo, técnico que já havia trabalhado com a Seleção Brasileira.
O time foi apresentado oficialmente à imprensa em 29 de maio de 1993 e rapidamente passou a fazer parte da elite do vôlei nacional.
Isabel, Virna, Márcia Fu, Ida... Guarujá recebeu estrelas
É impossível contar a história do BCN sem falar das jogadoras.
Isabel Salgado, uma das grandes referências do vôlei brasileiro, esteve na primeira formação.
Virna, que posteriormente teria uma carreira brilhante pela Seleção Brasileira, também vestiu a camisa do BCN/Guarujá.
Márcia Fu, outra personagem fundamental do vôlei brasileiro, também passou pela equipe.
E havia ainda Ida, Kika, Bobô, Ana Cláudia Ramos, Tatá e Rosa García, além de outras atletas que passaram pelo elenco durante as temporadas seguintes.
A composição do time, porém, mudou bastante de uma temporada para outra.
Na temporada 1993/94, por exemplo, Kátia Caldeira atuou ao lado de Isabel, Roseli Timm, Kika, Virna, Rosa García, Ida, Ana Cláudia, Bobô, Márcia Fu, Renata Paiva, Analirdes Santana e Tatá.
No ano seguinte, o elenco foi praticamente reconstruído.
Permaneceram Kátia, Kika e Rosa García, enquanto chegaram nomes como Arlene Xavier, Patrícia Cocco, Fernanda Doval, Ana Flávia, Sandra Suruagy, Fabiana, Marcela, Heloísa Roese e Michele Behling.
Era uma verdadeira mistura de experiência e juventude.
E o Guaibê virou uma fortaleza
A presença do BCN mudou a relação da cidade com o vôlei.
Os jogos passaram a reunir grandes públicos e a rivalidade contra o Leite Moça, de Sorocaba, tornou-se uma das marcas daquele período.
A ex-jogadora Thelma Lopes, que atuou pelo BCN/Guarujá, contou posteriormente que a rivalidade era enorme.
Os ginásios ficavam lotados.
E Guarujá tinha até torcida organizada.
Era a Piratas do Vôlei, que acompanhava o time em partidas disputadas em outras cidades.
Para quem viveu aquela época, não era simplesmente ir assistir a uma partida.
Era programa de cidade.
Era encontrar os amigos no Guaibê, vestir a camisa, torcer, gritar e depois comentar a partida durante dias.
1993: vice-campeão logo de cara
A equipe não demorou para mostrar que tinha vindo para ficar.
Logo em sua primeira temporada, o BCN/Guarujá chegou às finais do Campeonato Paulista e da Liga Nacional de Voleibol, terminando as duas competições como vice-campeão.
E havia um detalhe importante: o time estava enfrentando algumas das principais equipes do país.
Guarujá, uma cidade conhecida nacionalmente pelo turismo, começava também a ser lembrada como uma cidade de vôlei.
1994: o ano em que Guarujá virou campeão
Se 1993 serviu para apresentar o BCN ao Brasil, 1994 foi o ano em que o time se consolidou.
O BCN/Guarujá conquistou o Campeonato Paulista, a Copa Sul e a Copa do Brasil.
Foi uma temporada histórica.
A vitória no Campeonato Paulista sobre o Leite Moça ajudou a transformar aquela rivalidade em uma das grandes lembranças esportivas da cidade.
Anos depois, torcedores ainda se lembravam daqueles confrontos.
Um deles, Roni Santos, contou que começou a acompanhar o time justamente depois da conquista paulista de 1994.
1995: uma máquina de vencer
Na temporada seguinte, o BCN continuou entre os grandes.
Na Superliga 1994/95, a equipe conseguiu uma sequência impressionante de 16 vitórias consecutivas na fase classificatória.
Quatro jogadoras do BCN apareceram entre as 18 melhores da competição segundo a CBV: Patrícia Cocco, Fernanda Doval, Sandra e Ana Flávia.
O time chegou novamente à decisão nacional.
Mais uma vez, o adversário era o Leite Moça.
Mais uma vez, Guarujá parou para acompanhar.
Mas o título não veio.
O BCN terminou novamente como vice-campeão.
Mesmo assim, aquela campanha consolidou a equipe como uma das forças do vôlei brasileiro.
Não eram apenas estrelas. Havia meninas sonhando
Talvez uma das partes mais bonitas dessa história esteja fora da quadra.
O BCN também mantinha núcleos de formação para meninas, dentro de um projeto que chegou a atender centenas de crianças e jovens.
Shirley Costa foi uma dessas meninas.
Ela frequentava uma escolinha do BCN no Centro Comunitário Márcia Regina, em Vicente de Carvalho.
Não havia uma estrutura perfeita.
Não havia quadra coberta, preparador físico ou academia.
Mas havia algo muito mais simples:
um monte de meninas querendo aprender a jogar vôlei.
Shirley assistia aos jogos no Guaibê e sonhava em um dia estar naquela quadra vestindo a camisa do time.
É nesse ponto que o BCN deixa de ser apenas uma história de títulos.
Ele passa a fazer parte da memória de uma geração.
Mas por que o BCN saiu do Guarujá?
Aqui está uma das partes mais interessantes da história.
O BCN não deixou Guarujá porque o projeto tivesse fracassado dentro da quadra.
Muito pelo contrário.
O time vinha de grandes campanhas, títulos e finais nacionais.
Em 1996, a direção do banco decidiu transferir a sede da equipe para Osasco. A partir daquele momento, o time passou a ser chamado de BCN/Osasco.
A mudança estava ligada à própria estratégia do projeto esportivo do banco.
Com a transferência, o BCN passou a concentrar em Osasco também as categorias de base e a formação de novas atletas. O banco contratou Cacá Bizzocchi para comandar a equipe e ampliar esse trabalho de formação.
Ou seja:
não foi uma saída causada por uma sequência de derrotas ou pelo abandono do projeto.
Foi uma decisão estratégica de mudança de sede.
O banco levou o projeto para uma cidade onde pretendia concentrar sua estrutura esportiva e de formação.
E assim terminou a curta passagem do BCN pelo Guarujá.
O dia em que a camisa deixou a cidade
Para quem acompanhava o time, entretanto, uma decisão administrativa não era simplesmente uma mudança de endereço.
Era o fim de uma época.
A torcedora Lucimary Jardim, que acompanhava o BCN em viagens para jogos fora de casa, contou que chegou a acompanhar partidas em Ribeirão Preto, Sertãozinho e Rio de Janeiro.
Em duas ocasiões, os ônibus da torcida voltaram ao Guarujá escoltados pela Polícia Militar devido a conflitos envolvendo torcedores.
Era uma época em que rivalidade esportiva fazia parte da paisagem.
E quando o BCN foi embora, ficou um vazio.
Lucimary chegou a contar que só voltou a se dedicar aos estudos, fazendo magistério e duas faculdades, depois que o time deixou a cidade.
A frase que ela deixou para a reportagem resume o tamanho daquela relação:
“Não trocava o BCN por nada.”
Guarujá perdeu o time, mas a história continuou
A mudança para Osasco não significou o fim daquele projeto.
O BCN/Osasco continuou sua trajetória e, posteriormente, o time passou por diferentes nomes conforme os patrocinadores mudaram.
Vieram marcas como Finasa, Sollys Nestlé e outras denominações.
A marca BCN deixou de existir em 2003, mas a estrutura esportiva criada naquele período continuou produzindo atletas e títulos.
É uma daquelas histórias curiosas do esporte brasileiro:
o time que um dia representou Guarujá acabou construindo em Osasco uma das trajetórias mais vitoriosas do vôlei feminino nacional.
Mas existe uma diferença.
Para Osasco, ele se tornou parte de uma história esportiva gigantesca.
Para Guarujá, ele virou memória.
E o que ficou para Guarujá?
Ficaram as fotografias.
Ficaram as camisas.
Ficaram os recortes de jornal.
Ficaram as histórias contadas pelos torcedores.
Ficou o Guaibê.
E ficaram, principalmente, as lembranças de uma época em que meninas guarujaenses olhavam para aquelas atletas e imaginavam que também poderiam chegar à Seleção Brasileira.
O BCN passou pela cidade como um fenômeno esportivo.
Chegou em 1993.
Conquistou títulos.
Lotou ginásios.
Criou ídolos.
Formou meninas.
Levou torcedores para viajar pelo Brasil.
E, em 1996, partiu para Osasco.
Foram poucos anos.
Mas talvez seja justamente isso que torne essa história tão especial.
Algumas equipes passam décadas em uma cidade e deixam poucos registros na memória popular. O BCN ficou apenas três anos em Guarujá e ainda hoje consegue fazer quem viveu aquela época lembrar do barulho da torcida no Guaibê.
🏐 O BCN/Guarujá em números
1993 • chegada do projeto e formação do BCN/Guarujá
1993/94 • vice-campeão paulista e nacional
1994 • campeão paulista, da Copa Sul e da Copa do Brasil
1994/95 • 16 vitórias consecutivas na fase classificatória da Liga Nacional
1995/96 • nova participação na final nacional
1996 • sede transferida para Osasco
2003 • fim da marca BCN
Depois • continuidade do projeto sob outras marcas em Osasco
🌊 Uma lembrança que merece ser contada
Hoje, quando falamos de Guarujá, lembramos naturalmente das praias, do turismo, da Mata Atlântica e da história da cidade.
Mas existe outra história que merece espaço:
a história de quando Guarujá foi uma das casas do vôlei feminino brasileiro.
E talvez valha a pena perguntar a quem viveu aquela época:
Você se lembra de algum jogo do BCN no Guaibê? Qual jogadora marcou sua memória?
Porque a história de uma cidade não está apenas nos monumentos.
Às vezes, ela está escondida em uma bola de vôlei, em uma arquibancada lotada e na lembrança de alguém que ainda consegue ouvir, décadas depois, a torcida gritando: “BCN! BCN! BCN!”
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