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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Suposta ligação com esquema no setor de combustíveis e mercado financeiro

PF indicia 13 pessoas em investigação sobre suposta ligação com esquema no setor de combustíveis e mercado financeiro


A Polícia Federal concluiu uma etapa da Operação Quasar, investigação que apura uma possível estrutura de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis e o mercado financeiro. Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas pela PF nesta quarta-feira (30).

Segundo a investigação, os envolvidos têm ligação com fundos de investimento, corretoras e fintechs e são suspeitos dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O inquérito é um dos desdobramentos das investigações da Operação Carbono Oculto.

O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF). A partir de agora, o órgão poderá apresentar uma denúncia à Justiça, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento da investigação.

Como funcionaria o esquema investigado

De acordo com a Polícia Federal, recursos que teriam origem em sonegação fiscal e irregularidades relacionadas ao setor de combustíveis teriam sido inseridos no sistema financeiro por meio de uma estrutura envolvendo empresas, contas e fundos de investimento.

A investigação aponta que diferentes empresas e fundos teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos e conferir aparência legal ao patrimônio investigado. Entre os elementos analisados estão mensagens, contratos, planilhas, extratos bancários e perícias contábeis, parte deles obtidos mediante autorização judicial.

A PF relaciona a estrutura investigada a empresas do setor de combustíveis, incluindo a Aster Petróleo e a Copape Produtos de Petróleo.

Investigação também envolve o mercado financeiro

Entre os 13 indiciados estão executivos e profissionais ligados a instituições do mercado financeiro. Um dos nomes citados nas reportagens é João Carlos Falbo Mansur, fundador da gestora Reag.

Segundo a investigação, estruturas financeiras teriam sido utilizadas para movimentar valores e dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A PF também analisou operações envolvendo fundos de investimento, empresas e negócios imobiliários que, segundo os investigadores, poderiam ter sido utilizados para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos beneficiários finais.

Operação Quasar bloqueou cerca de R$ 1,2 bilhão

A Operação Quasar foi deflagrada em 28 de agosto de 2025, quando foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo.

Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

A operação ocorreu no mesmo contexto de outras ações de combate às irregularidades no setor de combustíveis, incluindo a Operação Carbono Oculto e a Operação Tank.

Novas investigações surgiram em setembro

O caso ganhou novos capítulos em 24 de setembro, quando a Receita Federal e o Gaeco do Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Crédito Oculto, também relacionada à Carbono Oculto.

A ação investigou estruturas que, segundo os órgãos, poderiam ter sido utilizadas para ocultar patrimônio e recursos empregados na aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis. Foram cumpridos mandados em sete estados, com alvos em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A Receita Federal informou que uma das linhas da investigação envolve uma complexa estrutura formada por fundos de investimento, holdings, empresas e fintechs, que teria sido utilizada para dificultar a identificação dos responsáveis pelos recursos.

Investigados negam ligação criminosa

É importante destacar que as acusações ainda estão em fase de investigação e análise pelo Ministério Público.

Em manifestação divulgada pelo Poder360, a defesa dos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva contestou a existência de provas que demonstrem ligação dos investigados com o PCC. Os advogados também destacaram trecho do relatório da própria PF segundo o qual essa vinculação a uma facção criminosa não foi estabelecida como fato comprovado naquele inquérito.

Dessa forma, o indiciamento representa a conclusão da investigação policial sobre a existência de possíveis crimes, mas não equivale a uma condenação. O Ministério Público Federal ainda deverá analisar o material antes de decidir se apresenta denúncia à Justiça ou toma outra medida.

📌 Entenda em resumo

  • 13 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal;
  • Os investigados estão ligados a fundos, corretoras e fintechs;
  • A PF aponta suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e gestão fraudulenta;
  • A investigação faz parte da Operação Quasar, relacionada à Carbono Oculto;
  • Aproximadamente R$ 1,2 bilhão foi bloqueado durante a operação de 2025;
  • O relatório foi enviado ao MPF, que decidirá os próximos passos;
  • Indiciamento não significa condenação.

Fontes consultadas: Polícia Federal/Receita Federal, g1, Agência Brasil, Poder360, VEJA São Paulo e outras reportagens publicadas sobre o caso

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